Como mudar para alimentação macrobiótica?

Como mudar para alimentação macrobiótica?

413
0
COMPARTILHE

Mudar para a alimentação Macrobiótica não é fácil. Há não muito tempo tinha a profunda convicção de que se queríamos mudar, devíamos fazê-lo da noite para o dia. Apenas estávamos dependentes da nossa vontade. Ou seja, o correto seria começarmos a mudar de alimentação pela Dieta nº 7 (10 dias de Arroz Integral) e, gradualmente, chegarmos à Alimentação Macrobiótica padrão. Ou então, iniciarmos imediatamente a Alimentação Macrobiótica padrão (com as adaptações inerentes à condição de cada um, claro). Achava que se não tivéssemos a força de vontade suficiente para mudar, então não valia a pena sequer tentar. Isto não é de todo verdade.

“As pessoas doentes incessantemente expressam o desejo de serem curadas; afirmam que têm a vontade de se libertar do seu mal, a todo preço. Vontade desta categoria não é senão o simples desejo de se recolherem em si próprias; de escapar do estado em que se encontram, por outras palavras, mera forma de derrotismo. – George Ohsawa, in Macrobiótica Zen

Fui mudando de opinião aos poucos e percebi que o ideal é muito bonito, mas é uma teoria. O certo pode ir acontecendo. Não se chega ao destino, sem se percorrer o caminho. Há quem consiga mudar de um dia para o outro, sem se lamentar uma única vez, mas não é [nada] frequente. Depende da personalidade, das circunstâncias e de haver um reconhecimento anterior dos ensinamentos. Eu tive a vida facilitada, já nasci numa família com um estilo de vida macrobiótico.

[Mudança gradual]
Neste momento penso que, para a maioria das pessoas, uma alteração de estilo de vida e de alimentação é mais fácil se for feita gradualmente. Os padrões de comportamento desadequados estão tão enraizados que quando se quer mudar tudo de uma vez, na maioria dos casos, perde-se tudo. Desiste-se, é difícil, e acaba por não se mudar nada. Para além dos milhares de informação contraditória sobre o que é saudável e o que não é disponível (e que ainda por cima muda constantemente).

Para quem tem uma alimentação normal, à base de alimentos processados, cereais refinados, carnes vermelhas, peixes, produtos geneticamente modificados, químicos,… e não tem nenhum conhecimento nem preocupação com questões de proporção, em usar produtos biológicos, da época e do local, quem não lê os rótulos, não conhece as leguminosas, os cereais integrais, outras fontes de proteínas que não a carne e o peixe, quem nunca pensou que está contribuir para o sofrimento de outros seres,… é muito, mesmo muito complicado mudar de um dia para o outro.

Nestes casos, há quem se sinta completamente perdido. É natural! E isso acontece por várias razões, que não estritamente ligadas à força de vontade, e a pessoa sente-se completamente às escuras e sozinha. Mesmo assim, normalmente no início há um entusiasmo grande. Especialmente com a Dieta nº 7. “10 dias de Arroz Integral, vai ser fácil, eu consigo”. Mas depois vem a fome por doces, as dores de cabeça, os convites dos amigos para um café, a família que não compreende, o organismo que acusa a mudança, as milhares de informações diferentes e contraditórias nas notícias, livros, etc e começam as dúvidas. E fazem-se umas asneiras. E desiste-se, sem nunca se ter verdadeiramente começado.

[Sugestões para mudar de alimentação]

Para quem quer realmente uma vida mais saudável, poderá ser mais fácil mudar aos poucos. Ir fazendo o caminho em direção a uma vida mais saudável e plena, sem querer chegar à meta antes de percorrer o caminho. Uma mudança progressiva poderá ser muito mais fácil.

Dicas:

Fazer uma consulta de orientação alimentar com Francisco Varatojo do IMP. Este deve ser o primeiro passo, para haver uma boa base e orientação. Recomendo vivamente o Francisco.
Comprar alguns livros de alimentação e cozinha (este, este e este são muito bons) e praticar.
Fazer um Workshop de Cozinha (há vários por todo o país: em Lisboa no IMP, no Porto no Suribachi com a Ana Torres, em Braga no Semente, etc etc).
Procurar lojas de produtos Bio perto de si (há muitas mesmo, é só pesquisar). Frequentar essas lojas, pedir conselhos, ir lendo rótulos,…)
Ir substituindo gradualmente todos os utensílios de cozinha que usa por peças em material Inox, Ferro fundido, Vidro e Madeira. Não é preciso deitar tudo ao lixo, mas ir comprando utensílios de boa qualidade aos poucos é fundamental.
Não usar micro-ondas – habituar-se a aquecer a comida no fogão.
Comprar uma placa difusora, caso o fogão não seja a gás.
Comprar um steamer e outros utensílios que considere necessários, de boa qualidade. A Próvida tem vários. Não é preciso comprar tudo de uma vez.
Usar remédios caseiros como o Caldo de Vegetais Doces para atenuar a ansiedade por açúcar e limpar.
Comprar detergentes ecológicos e biológicos à medida que os anteriores forem terminando.
Quando tiver de comer fora, optar por vegetarianos, italianos, sushi,…

Plano de mudança de alimentação progressivo:


De 1 a 10 dias –
Eliminar Açúcar, Sal Refinado, Gorduras Saturadas, Refrigerantes, Produtos Processados e Industrializados (ex. refrigerantes, bolos, açúcar, fritos, fast food, congelados pré-preparados,). Deixar de comer fora de casa e passar a fazer todas as refeições cozinhadas por si. Substituir o açúcar por adoçantes naturais e usar apenas Sal Marinho grosso para cozinhar. Ler os rótulos de tudo o que compra.

De 11 a 20 dias –
Substituir todos os cereais que usa por Cereais Integrais e comer a todas as refeições pratos com cereais (excepto ao lanche). Deixar o pão branco e optar pelo integral. Comer uma tigela de Sopa Miso por dia.

De 21 a 30 dias – Deixar de comer carne vermelha e produtos animais não biológicos. Passar a usar apenas peixe branco, carnes brancas (peru, frango,…) também bio. Substituir café por cevada ou chá.

De 31 a 40 dias – Usar apenas produtos animais 3 vezes por semana e nas restantes refeições substituir essa proteína por Feijões (Feijão Azuki, Lentilhas, Grão-de-Bico,…), Seitan, Tofu,… Começar a introduzir algas. Ter atenção às proporções.

De 41 a 50 dias – Começar a utilizar apenas legumes e frutas biológicos e da época. Usar carne ou peixe apenas 1 vez por semana. Não beber às refeições e beber apenas quando tiver sede.

De 51 a… – Guiar-se pela Pirâmide Macrobiótica. Fazer algumas excepções, claro, mas não fazer da excepção a regra. Ser flexível, mas manter um estilo de vida e alimentação saudável.

[Força de vontade, disciplina e alegria]

A força de vontade para a mudança acontecer é muito importante. Assim como as questões práticas e a disciplina. Se não soubermos o que cozinhar – nem como – é impossível começar a mudança! E a alegria – ou seja, satisfação por viver – também é fundamental. Não é nada equilibrado viver em sacrifício para ter mais saúde ou um corpo mais bonito. Se a alimentação for um sacrifício, é necessário adaptar, dar mais cor e alegria aos pratos confecionados, pedir recomendações a quem tem mais experiência. A Vida é para ser vivida com alegria e gratidão, é para ser desfrutada!

Normalmente no inicio a mudança custa muito – o corpo e a mente estão habituados a outros estímulos -, mas ao fim de um tempo tudo fica mais sereno e há verdadeira satisfação em ter um estilo de vida / alimentação mais saudável, não provocando sofrimento a outros Seres e comendo de forma simples e integral.

Força de vontade, disciplina, alegria e… Itadakimasu!

FONTE: I LOVE BIO

DEIXE UMA RESPOSTA